Vida e Morte

A vida é um copo
Cheio de veneno.
A goles diários
Nos rendemos
Nos matando,
Lentamente
Desconfortavelmente
À dor me entrego
À dor de amar, sofrer,
Desejar e crer.

Não sei se eu creio.
Só creio na agonia,
Pois sei que o copo
Permanece cheio.
Esvaziar o copo
Acabar com a agonia
Deixar a vida
Me dedicar à sorte
E me entregar à morte!

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Ninguém quer morrer. Mesmo as pessoas que querem ir para o céu não querem morrer para chegar lá. Mas mesmo assim, a morte é um destino para todos nós. Ninguém conseguiu escapar dela. E é assim que deve ser, porque a Morte é provavelmente a melhor invenção da Vida. É o agente de mudança da Vida. Ela limpa o que é velho para dar lugar para o que é novo. Agora mesmo você é o novo, mas um dia, daqui a não muito tempo, você vai gradualmente se transformar em velho e vai ser varrido. Desculpem ser tão dramático, mas essa é a verdade.

(Steve Jobs)

É em dias como este que sentimentos adormecidos despertam e voltam a inundar nossos olhos de lágrimas. A memória dos que partiram jamais abandona nossos corações, mas aquele desespero, aquela profunda tristeza vão sendo suavizados com o tempo, mas acordam revoltados para dias como este.

Mas não deixemos que a tristeza prospere, e antes, lembremos quem já não está entre nós, recordemos suas histórias, suas características e celebremos quem foram em vida. O importante é jamais esquecer, mas aceitar com serenidade os desígnios de Deus, e nEle confiar, e a Ele pedir orientação e paz.

É fundamental aceitar a morte como parte da vida, assim como enxergar a partida dos que amamos não como um terrível final, mas como uma continuação, uma partida para algo melhor. E lembre-se, aqueles que se foram ficarão sempre conosco, na nossa memória e saudade, e deles não nos separamos definitivamente, pois eles apenas partiram antes de nós.

Sujos sentidos no escuro
Brisa leve
Rosto pálido
Um grito se escuta
Mas o mundo está só!

Na imensidão
O infinito parece te olhar
E o mar, que de longe se avista,
Bate ondas com o vento.

De repente,
Uma luz estranha aparece
Tudo paralisa
E os olhos congelam.

Nada faz sentido
Perante o juízo.
Um tremor começa a aparecer
E os olhos lacrimejantes
Parecem esperar uma resposta.

Resposta essa que decidirá
O que exatamente não foi descoberto:
Uns dizem ser o bem e o mal
Eu acredito que será o final
Mas o que podemos dizer sobre isso?

Os sonhos desapareceram
Palavras não são escutadas
Gestos não são vistos
O corpo vira apenas um detalhe
E o coração já não bate mais.

Penar em acordar?
Creio que não será possível.
O que sei ou o que penso saber,
É que não seremos nós a decidir
A vontade dEle é maior!

Somos loucos incompreendidos
À procura da salvação
E acabamos pedindo perdão,
Mas já é tarde de mais...
Preferimos acreditar que somos imortais
E que o mundo é nosso
E nos esquecemos do grande criador
Que nos deu o poder de achar
Ser o melhor.

Nos deu o poder da vida
e quem sabe também tirou.
Nos deu um castigo
Do qual não entendemos o que seja.

Apenas esperamos e vivemos
Da maneira que achamos ser certa.
Aguardando o momento
Em que poderemos dizer:
Estou Pronto!

E aí... Ah! Não tem como escapar.
É ela que vem chegando
Para nos dizer que chegou
A hora de ir embora.

E quando simplesmente
Dizemos adeus ao mundo,
Berros, suspiros, soluços,
E lágrimas...

E tudo se acaba, sem lógica
Só por acabar.
Isso é o que chamamos de
Morte!

Estudiosos das escrituras hindus, comparando textos do Bhagavad Purana e do Bhagavad Gita, concluíram que Krishna morreu em 3.100 a.C.. Porém, a morte de Krishna, é envolta em mistério de renúncia e maldição. Depois da Guerra dos Baratha, Krishna e seu irmão Balarãma estabeleceram- se ao sul da Índia, onde teriam fundado a cidade de Dwaraka. Reinaram por 36 anos. Balarãma, como outros personagens lendários, não morreu; usando a disciplina do ioga, Balarãma transcendeu a corporeidade física alcançando as esferas celestiais.

Krishna, segundo o Mahabaratha, retirou-se na floresta e mergulhou em meditação. Ali teria morrido em virtude de uma maldição proferida por Gandhari, que perdeu os filhos na batalha entre os Pandavas e Kurus. Ela culpava Krishna por não ter impedido a matança. Krishna, conformou-se com a maldição e morreu.

Na versão contada por Schuré, em Os Grandes Iniciados, Krishna escolhe morrer deixando-se apanhar em emboscada por arqueiros enviados por seu velho inimigo, o rei Kamsa. Kamsa, que escapara à vigilância dos brâmanes, refugiou-se junto ao sogro, o bruxo Calanemi e passou a tramar a destruição de Krishna.
O profeta havia compreendido que para fazer aceitar aos vencidos a sua religião, seria necessário conseguir sobre a sua alma uma vitória mais difícil que as das armas. Da mesma forma que o santo Vasixta tinha sido varado por uma flecha de Kamsa ...da mesma maneira Krishna devia morrer voluntariamente às mãos de seu inimigo mortal para implantar no coração de seus adversários a fé que pregava aos seus discípulos e ao mundo. ...Partiu, pois, para uma ermida que se encontrava em um lugar selvático e desolado, junto aos altos cimos do Himavant Himalaia.

Até então, Krishna, com o poder de seu Espírito, havia impedido os ataques de Kamsa. Em seu derradeiro retiro, o Mestre cessou de resistir. Durante sete dias meditou enquanto seus perseguidores avançavam. Enfim, chegaram os soldados. Arrancaram o santo do êxtase, insultaram-no, apedrejaram- no. Nada abalava Krishna. Então, agarraram-no, acorrentaram- no a um tronco de cedro um madeiro e prepararam os arcos. Foram três flechas: na primeira, Krishna chamou por Vasixta; na segunda, abençoou os filhos do Sol e na terceira, disse apenas: Mahadeva!.

(Lígia Cabus)

A morte não é nada.
Eu somente passei
para o outro lado do Caminho.
Eu sou eu, vocês são vocês.
O que eu era para vocês,
eu continuarei sendo.

Me deem o nome
que vocês sempre me deram,
falem comigo
como vocês sempre fizeram.

Vocês continuam vivendo
no mundo das criaturas,
eu estou vivendo
no mundo do Criador.

Não utilizem um tom solene
ou triste, continuem a rir
daquilo que nos fazia rir juntos.
Rezem, sorriam, pensem em mim.
Rezem por mim.

Que meu nome seja pronunciado
como sempre foi,
sem ênfase de nenhum tipo.
Sem nenhum traço de sombra
ou tristeza.

A vida significa tudo
o que ela sempre significou,
o fio não foi cortado.
Porque eu estaria fora
de seus pensamentos,
agora que estou apenas fora
de suas vistas?

Eu não estou longe,
apenas estou
do outro lado do Caminho...
Você que aí ficou, siga em frente,
a vida continua, linda e bela
como sempre foi.

(Santo Agostinho)