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A Verdadeira Essência do Jiu Jitsu

É triste constatar a seguinte realidade: se você acha que pratica o verdadeiro Jiu-Jitsu, saiba que provavelmente não é verdade. O verdadeiro Jiu-Jitsu está morrendo. Salvo raras excessões, aquela arte marcial, mais eficiente que todas as outras, tal como sempre ouvimos falar, quase não existe mais. Não digo que o que você aprende hoje em dia não seja suficiente para se defender e até fazer bonito em cima de um fanfarrão qualquer, mas: você sabe defender-se de um ou mais agressores em uma briga de rua? Ou você nunca treinou defesa pessoal, acreditando que na hora pensará em alguma coisa? Não se engane. Em se tratando de luta, como diziam os antigos mestres, ou você sabe ou não sabe. Se não treinou, não sabe, ponto.

O antigo judô, ou Kano Ju-Jitsu, era uma arte marcial completa, derivada do antigo JuJutsu (arte marcial sem armas praticada pelos antigos samurais). Mestre Kano criou uma arte marcial e não um esporte como alguns fazem crer. Inclusive o Jiu-Jitsu desenvolvido pela família Gracie, no Brasil foi ensinado a Carlos Gracie por por Mitsuyo Maeda, o Conde Koma, que treinou a arte suave na Academia Kodokan de Jigoro Kano lá no Japão. Então, fica a pergunta: O que ocorreu com o Judô afinal de contas? Foi exatamente o mesmo que vem acontecendo com nosso Brazilian Jiu-Jitsu na atualidade: Uma arte marcial quando vira esporte, acaba sucumbindo a tantas regras que perde sua marcialidade. Se por um lado a arte marcial sendo divulgada como esporte atrai mais e mais adeptos buscando a tal arte marcial perfeita, por outro lado, as academias visando apenas medalhas e títulos ensinam cada vez menos o que os alunos mais ansiavam num primeiro momento (olha a redundância aí!). Hora, aquele aluno que sempre ouviu falar que o Jiu-Jitsu é a arte marcial mais eficiente do mundo acaba por empolgar-se realmente quando tem contato com ela (afinal Jiu-Jitsu é empolgante mesmo) mas sem saber, acaba praticando apenas uma das várias vertentes do jiu jitsu, ou seja, a parte esportiva que visa apenas testar conhecimento na arena entre os atletas. Se o professor não for muito consciente da rara oportunidade que tem nas mãos, de desenvolver seres humanos cada vez mais fortes e confiantes, não passará para eles a parte de defesa pessoal do jiu jitsu que é o que realmente interessa. Vejamos o que o grande mestre Hélio Gracie disse a respeito quando ainda em vida em entrevista à Fightingnews:

“O Jiu-Jitsu que criei foi para dar chance aos mais fracos enfrentarem os mais pesados e fortes. E fez tanto sucesso, que resolveram fazer um Jiu-Jitsu de competição. Gostaria de deixar claro que sou a favor da prática esportiva e da preparação técnica de qualquer atleta, seja qual for sua especialidade. Além de boa alimentação, controle sexual e da abstenção de hábitos prejudiciais à saúde. O problema consiste na criação de um Jiu-Jitsu competitivo com regras, tempo inadequado e que privilegia os mais treinados, fortes e pesados. O objetivo do Jiu-Jitsu é, principalmente, beneficiar os mais fracos, que não tendo dotes físicos são inferiorizados. O meu Jiu-Jitsu é uma arte de autodefesa que não aceita certos regulamentos e tempo determinado. Essas são as razões pelas quais não posso, com minha presença, apoiar espetáculos, cujo efeito retrata um anti Jiu-Jitsu”.

(João Pedro Guimarães)
(Jiu Jitsu Uberlândia)

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