A Morte

Sujos sentidos no escuro
Brisa leve
Rosto pálido
Um grito se escuta
Mas o mundo está só!

Na imensidão
O infinito parece te olhar
E o mar, que de longe se avista,
Bate ondas com o vento.

De repente,
Uma luz estranha aparece
Tudo paralisa
E os olhos congelam.

Nada faz sentido
Perante o juízo.
Um tremor começa a aparecer
E os olhos lacrimejantes
Parecem esperar uma resposta.

Resposta essa que decidirá
O que exatamente não foi descoberto:
Uns dizem ser o bem e o mal
Eu acredito que será o final
Mas o que podemos dizer sobre isso?

Os sonhos desapareceram
Palavras não são escutadas
Gestos não são vistos
O corpo vira apenas um detalhe
E o coração já não bate mais.

Penar em acordar?
Creio que não será possível.
O que sei ou o que penso saber,
É que não seremos nós a decidir
A vontade d'Ele é maior!

Somos loucos incompreendidos
À procura da salvação
E acabamos pedindo perdão,
Mas já é tarde de mais...
Preferimos acreditar que somos imortais
E que o mundo é nosso
E nos esquecemos do grande criador
Que nos deu o poder de achar
Ser o melhor.

Nos deu o poder da vida
e quem sabe também tirou.
Nos deu um castigo
Do qual não entendemos o que seja.

Apenas esperamos e vivemos
Da maneira que achamos ser certa.
Aguardando o momento
Em que poderemos dizer:
Estou Pronto!

E aí... Ah! Não tem como escapar.
É ela que vem chegando
Para nos dizer que chegou
A hora de ir embora.

E quando simplesmente
Dizemos adeus ao mundo,
Berros, suspiros, soluços,
E lágrimas...

E tudo se acaba, sem lógica
Só por acabar.
Isso é o que chamamos de
Morte!

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Estudiosos das escrituras hindus, comparando textos do Bhagavad Purana e do Bhagavad Gita, concluíram que Krishna morreu em 3.100 a.C.. Porém, a morte de Krishna, é envolta em mistério de renúncia e maldição. Depois da Guerra dos Baratha, Krishna e seu irmão Balarãma estabeleceram- se ao sul da Índia, onde teriam fundado a cidade de Dwaraka. Reinaram por 36 anos. Balarãma, como outros personagens lendários, não morreu; usando a disciplina do ioga, Balarãma transcendeu a corporeidade física alcançando as esferas celestiais.

Krishna, segundo o Mahabaratha, retirou-se na floresta e mergulhou em meditação. Ali teria morrido em virtude de uma maldição proferida por Gandhari, que perdeu os filhos na batalha entre os Pandavas e Kurus. Ela culpava Krishna por não ter impedido a matança. Krishna, conformou-se com a maldição e morreu.

Na versão contada por Schuré, em Os Grandes Iniciados, Krishna escolhe morrer deixando-se apanhar em emboscada por arqueiros enviados por seu velho inimigo, o rei Kamsa. Kamsa, que escapara à vigilância dos brâmanes, refugiou-se junto ao sogro, o bruxo Calanemi e passou a tramar a destruição de Krishna.
O profeta havia compreendido que para fazer aceitar aos vencidos a sua religião, seria necessário conseguir sobre a sua alma uma vitória mais difícil que as das armas. Da mesma forma que o santo Vasixta tinha sido varado por uma flecha de Kamsa ...da mesma maneira Krishna devia morrer voluntariamente às mãos de seu inimigo mortal para implantar no coração de seus adversários a fé que pregava aos seus discípulos e ao mundo. ...Partiu, pois, para uma ermida que se encontrava em um lugar selvático e desolado, junto aos altos cimos do Himavant Himalaia.

Até então, Krishna, com o poder de seu Espírito, havia impedido os ataques de Kamsa. Em seu derradeiro retiro, o Mestre cessou de resistir. Durante sete dias meditou enquanto seus perseguidores avançavam. Enfim, chegaram os soldados. Arrancaram o santo do êxtase, insultaram-no, apedrejaram- no. Nada abalava Krishna. Então, agarraram-no, acorrentaram- no a um tronco de cedro um madeiro e prepararam os arcos. Foram três flechas: na primeira, Krishna chamou por Vasixta; na segunda, abençoou os filhos do Sol e na terceira, disse apenas: Mahadeva!.

(Lígia Cabus)

A morte não é nada.
Eu somente passei
para o outro lado do Caminho.
Eu sou eu, vocês são vocês.
O que eu era para vocês,
eu continuarei sendo.

Me deem o nome
que vocês sempre me deram,
falem comigo
como vocês sempre fizeram.

Vocês continuam vivendo
no mundo das criaturas,
eu estou vivendo
no mundo do Criador.

Não utilizem um tom solene
ou triste, continuem a rir
daquilo que nos fazia rir juntos.
Rezem, sorriam, pensem em mim.
Rezem por mim.

Que meu nome seja pronunciado
como sempre foi,
sem ênfase de nenhum tipo.
Sem nenhum traço de sombra
ou tristeza.

A vida significa tudo
o que ela sempre significou,
o fio não foi cortado.
Porque eu estaria fora
de seus pensamentos,
agora que estou apenas fora
de suas vistas?

Eu não estou longe,
apenas estou
do outro lado do Caminho...
Você que aí ficou, siga em frente,
a vida continua, linda e bela
como sempre foi.

(Santo Agostinho)

Um dos maiores enigmas que cercam a humanidade desde, é por ironia, algo muito frequente nas nossas vidas, a morte. Deparamo-nos com ela todos os dias, seja com pessoas conhecidas, estranhas, que viviam do outro lado do mundo ou até com um animal de estimação muito querido.

Apesar de todas as explicações dadas pelas diversas religiões, pela ciência ou ainda pelos nossos antepassados, é algo sempre muito discutido e muito questionado. Há quem relacione a morte com uma passagem, que levará para um lugar anteriormente esperado, há também quem acredite que é apenas uma transição para o início de uma nova vida.

As explicações são as mais diversas, mas independentemente do que acredite, nunca é fácil dá adeus a um ente querido, principalmente quando existem palavras ainda não ditas. A crença na morte como algo além de um simples fim, nos conforta em um segundo momento, após a chegada do sofrimento da partida definitiva de uma pessoa querida.

Mas a única certeza que temos sobre a morte é que ela sempre chega, para uns mais rapidamente, para outros o tempo pode passar muito lentamente. Sabemos que o fim para quem foi é certo, mas o que acontece depois disso, certamente ainda dará origem a muitos questionamentos.

É em dias como este que sentimentos adormecidos despertam e voltam a inundar nossos olhos de lágrimas.

A memória dos que partiram jamais abandona nossos corações, mas o desespero e a profunda tristeza vão sendo suavizados com o tempo, e acordam revoltados em dias como este.

Mas não deixemos que a tristeza prospere, e antes, lembremos quem já não está entre nós e celebremos quem foram em vida.

O importante é jamais esquecer, e aceitar com serenidade os desígnios de Deus; e nEle confiar e a Ele pedir orientação e paz.

E lembre-se que aqueles que se foram ficarão sempre conosco, na nossa memória e saudade. E que a morte não é o final, não é a separação definitiva, mas apenas o início de uma fase nova para os que partem antes de nós.

Não amaremos talvez insuficientemente a vida? Já notou que só a morte desperta os nossos sentimentos? Como amamos os amigos que acabam de deixar-nos, não acha?! Como admiramos os nossos mestres que já não falam, com a boca cheia de terra! A homenagem surge, então, muito naturalmente, essa mesma homenagem que talvez eles tivessem esperado de nós, durante a vida inteira. Mas sabe porque nós somos sempre mais justos e mais generosos para com os mortos? A razão é simples! Para com eles, já não há deveres.

É assim o homem, tem duas faces. Não pode amar sem se amar. Observe os seus vizinhos, se por acaso acontece um falecimento no prédio. Dormiam na sua vida monótona e eis que, por exemplo, morre o porteiro. Despertam imediatamente, atarefam-se, enchem-se de compaixão.
É preciso que algo aconteça, eis a explicação da maior parte dos compromissos humanos. É preciso que algo aconteça, mesmo a servidão sem amor, mesmo a guerra ou a morte. Vivam, pois, os enterros!

(Albert Camus)