Os Dois Horizontes

Dois horizontes fecham nossa vida:

Um horizonte, — a saudade
Do que não há de voltar;
Outro horizonte, — a esperança
Dos tempos que hão de chegar;
No presente, — sempre escuro, —
Vive a alma ambiciosa
Na ilusão voluptuosa
Do passado e do futuro.

Os doces brincos da infância
Sob as asas maternais,
O vôo das andorinhas,
A onda viva e os rosais.
O gozo do amor, sonhado
Num olhar profundo e ardente,
Tal é na hora presente
O horizonte do passado.

Ou ambição de grandeza
Que no espírito calou,
Desejo de amor sincero
Que o coração não gozou;
Ou um viver calmo e puro
À alma convalescente,
Tal é na hora presente
O horizonte do futuro.

No breve correr dos dias
Sob o azul do céu, — tais são
Limites no mar da vida:
Saudade ou aspiração;
Ao nosso espírito ardente,
Na avidez do bem sonhado,
Nunca o presente é passado,
Nunca o futuro é presente.

Que cismas, homem? — Perdido
No mar das recordações,
Escuto um eco sentido
Das passadas ilusões.
Que buscas, homem? — Procuro,
Através da imensidade,
Ler a doce realidade
Das ilusões do futuro.

Dois horizontes fecham nossa vida.

(Machado de Assis)

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Juntos já demos dois passos, meu amor, pois este é o nosso segundo mês de namoro, e eu tenho certeza que não vamos parar por aqui. Estes dias de paixão, doçura e cumplicidade têm sido a razão do meu viver. É maravilhoso ter você ao meu lado incondicionalmente.

Quero agradecer por fazer com que a felicidade seja uma realidade da minha vida, e por me levar a ser uma pessoa melhor. Eu amor você hoje, amanhã e para sempre!

Conta-se que em Monomotapa viviam dois amigos, dois grandes amigos, tais como é muito raro de se encontrar por este mundo fora. Em uma noite, já bem tarde, aproveitando a ausência do Sol e quando todos dormiam, um deles acordou sobressaltado e acorreu à casa do outro. Acordou os criados e o amigo, que já estavam entregues a Morfeu que reinava em seu palácio. O amigo levantou-se de um salto, agarrou a espada, segurou a bolsa de moedas, apresentou-se a ele e disse:

Raras vezes te vi correr quando todos dormem. Conheço-te como homem que emprega melhor as horas destinadas ao sono; se perdeste no jogo, aqui te entrego a minha bolsa; se foste agredido, aqui está a minha espada para te auxiliar. Vamos, estou pronto para te acompanhar. Mas o que te aconteceu, afinal?

Em primeiro lugar te agradeço o que me ofereces. Não aconteceu nem uma coisa nem outra do que julgas, mas tive um sonho, no qual te vi muito triste e por isso corri para aqui imediatamente. Foi um maldito sonho a causa de tudo.

Qual dos dois era mais amigo? Vale a pena propor este problema. Como é sublime um amigo verdadeiro! Como é raro haver um que, ao perceber em nosso rosto uma simples expressão de tristeza, se preocupe por nós e que até um sonho o faça correr para o nosso lado. É que uma pequena coisa, o que julgamos um nada até, desperta-nos receio, quando se trata da pessoa que amamos.

Cada parte de mim lembra de você
A todo momento. É um sentimento
que enfim, não tem explicação.
Gosto de sofrer com você e por você!
É chama acesa em meu corpo que
arde. Não o vejo há tanto tempo,
e que saudade! Talvez tudo tenha
sido nada, mas a marca em mim ficou.
Você não lerá isso nunca, mas já ouviu
tantas vezes, e não deu atenção.
Meu amor é doente, gosta de fazer-me
sofrer. Alimenta minha alma cada vez
que se nega a me ver. Você deixou
algo em mim, plantou uma semente
diferente. Você será sádico?
E eu masoquista? Não sei...
Só sei que dos amores que tive,
você foi o que me fez chorar. Você
foi o que me ganhou e abandonou.
Você fez de maldade, de pirraça. Mas
eu te amo de graça! Eu, atualmente,
não consigo viver sem você!
Me maltrate, mas volte para mim!

O meu coração é o maior do mundo
Não mede esforços para te conquistar
E já conquistado não quer te perder
Pois sem ti a felicidade não existe
E na esperança de estar ao teu lado
Um dia nos vamos encontrar
E vou te beijar e vais saber
Que o tempo todo o meu coração foi
E é só teu!
Não precisa de palavras para dizer
O que eu sinto, eu sei!
Mas são enfeites que alegram o
Sorriso, e o meu maior sentimento é
Revelado: Te amo, e não é mais
Segredo, é coisa que voa sem lugar
Para parar, infinito... Enquanto durar!

Duas coisas enchem a alma de admiração e de respeito sempre renovados e que aumentam à medida que o pensamento mais vezes se concentra nelas: acima de nós, o céu estrelado; no nosso íntimo, a lei moral. Não é necessário buscá-las e adivinhá-las como se estivessem ofuscadas por nuvens ou situadas em região inacessível, para além do meu horizonte; vejo-as ante mim e relaciono-as imediatamente com a consciência da minha existência. A primeira, a partir do lugar que ocupo no mundo exterior, estende a relação do meu ser com as coisas sensíveis a todo esse imenso espaço onde os mundos se sucedem aos mundos e os sistemas aos sistemas e a toda a duração ilimitada dos seus movimentos periódicos. A segunda parte do meu invisível eu, da minha personalidade e do meu posto num mundo que possui a verdadeira infinitude, mas no qual o entendimento mal pode penetrar e ao qual reconheço estar vinculado por uma relação não apenas contingente, mas universal e necessária (relação que também alargo a todos esses mundos visíveis).
Numa, a visão de uma infinidade de mundos quase aniquila a minha importância, na medida em que me considero uma criatura animal que, depois de ter (não se sabe como) gozado a vida durante um breve lapso de tempo, deve devolver a matéria de que é formada ao planeta em que vive e que não é mais do que um ponto no universo. Pelo contrário, a outra ergue infinitamente o meu valor como inteligência, mediante a minha personalidade, na qual a lei moral me revela uma vida independente da animalidade e até de todo o mundo sensível, pelo menos na medida em que podemos julgá-lo pelo destino que esta lei consigna à minha existência, e que, em vez de ser limitada às condições e aos limites desta vida, se alarga até ao infinito.

(Immanuel Kant)
(Citador)